
As vezes esqueço meus próprios costumes, tenho vergonha de dizer o que quero, o que penso, a quem mais tenho liberdade.
Meus defeitos cada vez mais afloram, mas só aparecem no meu jardim.
Meu ego se acomodou em seu lar, doce lar e me deixou aqui, sem proteção contra mim mesmo.
Eu sou o pior de mim, sei a dor e a delícia de ser o que sou. Tenho me deliciado menos do que deveria, a dor me consome de mais.
Me mostre minhas qualidades e elas serão suas, só pra te agradar. Estou em uma fase que nada de mim me satisfaz. Lhe entrego meu eu, mas sem desistir de mim. Tente fazer dele sua felicidade instantânea sem trazer minha morte súbita. Metade de mim é amor, a outra... é tédio.
Traga-me de volta minha própria luz, sou vaga-lume que esqueceu como se brilha. Estou à procura do meu eu, que já encontrei mas nem todos conseguem ver. Ando em círculos e grito, grito alucinantemente como se a senha do meu cadeado se abrisse com ondas sonoras, mas o único cativo liberto é o som da minha voz.
Busco incessantemente a loucura que muitos ousam desfrutar, mas não é questão de coragem. Ela está na minha frente, sobre uma mesa alta e clara, o que nos divide é apenas uma camada de vidro fina e quebrável, mas não posso fazer nada, o meu soco se compara à uma leve brisa de inverno, fria e seca.